terça-feira, 16 de março de 2010

Um apelo pelo Leixões

No futebol, sempre que não há golos, sempre que as coisas não correm bem, sempre que as equipas perdem durante jogos consecutivos, imediatamente, o estado de espírito altera-se.
A massa associativa começa a demonstrar grande instabilidade, para passar para as críticas duras e ficar a um passo de uma certa agressividade.

E, imediatamente a seguir, ou se encontram os “bodes expiatórios” ou se travam debates acessos, duros, com críticas algo violentas e “descobrem-se” as razões, os erros estratégicos que conduziram, ou estiveram na base, dos resultados negativos.
Pois é! As vitórias escassearam e as derrotas são muitas. Apenas nos salvamos com os empates. Mas não é com empates que conseguimos os objectivos desejados.
Domingo passado, o Leixões tinha um jogo decisivo, um jogo com o seu competidor directo, o Vitória de Setúbal, e ficou, ainda, mais distante do grande objectivo – manter-se na I Liga.
Nem sequer vou dizer que o Leixões não merecia ganhar. Prefiro dizer: o Leixões não jogou para ganhar, mas não mereceu o que se passou dentro das quatro linhas e perder aquele jogo. E, agora, é muito difícil.
Mas, a missão não é impossível. E, por isso, vale a pena juntarmos esforços, reunirmos vontades, juntarmos energias para, todos, todos, sem excepção, fazermos um esforço para esquecer mágoas, frustrações, angústias e unirmo-nos em torno do Leixões.
Por muito, até, insignificante que seja o contributo de cada um, todos os contributos são importantes para corrigir a rota e para fazermos com que o Leixões se mantenha na I Liga.
É esse o apelo que faço. É esse o desafio que lanço, já para o próximo Domingo, para darmos apoio à equipa técnica, aos jogadores e a todos os responsáveis pelo clube, para iniciarmos, Domingo, no Mar, a viragem.
Meus caros leixonenses e meus caros matosinhenses: falo do que sei. Não esqueçam, as pessoas passam e o Leixões fica. O Leixões tem mais de cem anos, já teve muitos dirigentes, muitos presidentes, muitos altos e baixos, mas o Leixões sobreviveu e tem de continuar a sobreviver.
E tenho autoridade para falar, porque pertenço aos que foram vítimas de tratamentos desajustados, de processos ingratos, às vezes maquiavélicos, praticados por gente que enche demasiadamente o peito, tratando mal muitos, mesmo muitos, leixonenses. Mas isso é passado. Vamos olhar em frente.
Não se iludam, no entanto, aqueles que, como me vêm informando ultimamente, andam por aí a dizer que, provavelmente, serei candidato ao Leixões. Nunca. Nunca isso aconteceu, nem acontecerá.
Durante a minha vida pública, fui apenas Presidente da Assembleia Geral, durante um mandato. Só uma vez. Nunca serei nada mais. Não porque não tenha respeito por aqueles que gostam dessa tarefa, mas porque não corresponde à minha maneira de ser, de estar.
E, portanto, fiquem descansados. Da mesma maneira que, há quatro anos, num almoço, onde me pediam persistentemente para ser eu a assumir a presidência da SAD e os pedidos vieram, na altura, do actual Presidente da Assembleia Municipal, do actual Presidente da SAD, do actual Presidente do Leixões, lhes disse, convictamente, “não, não tenho características para exercer cargos dessa natureza”, também, agora, digo, renovando essa afirmação: não, nunca, jamais.
A minha disponibilidade é para ajudar, é para contribuir para o engrandecimento do Leixões, é para fazer um apelo a todos, agora, que começam os “ratos a abandonar o barco” e quando se olha para o camarote e se vê que este começa a estar vazio. Ainda Domingo, o camarote estava praticamente vazio. Parece que vamos ter cada vez mais lugares vazios. É da vida.
Durante os últimos tempos, o camarote estava cheio, de acérrimos defensores de outros clubes com o cachecol do Leixões, de institucionais e não institucionais, de amigos e não amigos. Agora, começa a ficar vazio.
E é por isso que cá estou, a unir-me aos mais humildes leixonenses e a dizer: vamos ao trabalho para aguentarmos o Leixões onde é o lugar dele.
É que, para se ser leixonense tem que se viver, sentir, vibrar. E Matosinhos precisa do Leixões na I Liga.

Narciso Miranda


1 comentário:

guimaraes disse...

Meu caro Presidente, a sua crónica no semanário matosinhense , que está também no seu blog, é um caso pertinente.
Ainda bem que abordou o tema,para ver se algumas "almas" despertam para a situação, não digo dramática, mas penosa,dessa velha glória do desporto português.
Como sabemos, ao contrário de outros tempos, hoje não é desporto,
são orçamentos a jogar, ainda por cima Matosinhos tem demasiado agrupamentos dispersos, o que dilui a capacidade de mobilização.
E como isso não bastasse, quando o clube está na mó de cima, não faltam arautos da bancada central a dar nas vistas,quando está no inverso,as "personalidades"andam todas muito "ocupadas". Mas o Leixões é um clube de gente do mar,
e saberá concerteza dar volta por cima.
Um abraço,

José Guimarães